quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Quando se está perto do fim

Foi prostrada em leito caseiro que ela me disse num soluço curto de choro, "não quero morrer", e foi-se acabando em fogo calmo. Aquela imagem de mulher, pedindo, sem saber a qualidade da súplica, olhava direto nos meus olhos, e era só eu ouvir a enchurrada do seu lamento sangrando quente em meus ouvidos, e entender cruamente que era eu o homem da casa, que eram minhas as panelas e louças daquele lar inacabado.
Suas mãos em calma arrancavam forte a água dos seus olhos; sem meio-termos, sem voz solene, morria aos pedaços, calava em soluços abafados sem ar.
Me disse sua última frase em silêncio profundo, sua última ordem não cumprida, já segura estava do fim inapelável, "não quero morrer, não posso".

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Voar sem asas

Nesses dias, vieram como ferro, cortando sem descanço o frio largo da minha pele apodrecida.
Já estava morta qualquer coisa entre nós, mesmo assim, vieram.
Veio a sua voz surda trazer-me o descaso, veio, sem trégua alguma, trazer-me a desesperança.
Vieram suas palavras inventadas dizer-me nada e coisa nenhuma.
Veio o seu silêncio tirar-me do sério, arrancar-me a cabeça, explodir-me o coração.
Veio o seu corpo sem jeito atolar-me inteiro na lama, sorrir-me um sorriso absurdo, sem gozo.
Veio você sem vir, me enlouquecendo à distância, me enchendo de sal.
Estou pesado como a lua!
Padeço da inútil vantagem de voar sem asas.
E ainda insisto em cair.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Do que sempre foi

Vem a mão grossa da saudade bater na cara da gente.
Vem outra vez mais encharca-nos nesse barro ainda morno.
Destapa esse frasco seco,
Aguça meus ouvidos,
Faz-me de novo ver os meus olhos meninos, com a cara no chão, com o peito rente molhado a mijo.
Vem me fazer chorar!

À espera

Espero conformado a minha hora da vida, como quem espera a sua hora da morte, suando frio, tremendo imóvil. Rezo em vão textos desacreditados, deixo à sorte meu pedaço de morte em vida.
Que há de se fazer com todo o tempo desperdiçado, que há de se fazer com toda a ternura, que há de se fazer com toda a lembrança lembrando mal acostumada na espera da gente?
Me resta a certeza da minha hora da vida, o lamento triste existindo em mim até a minha hora da morte, na minha espera falecida.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Sem os pontos

É devagar que eu desisto, é lentamente. É perdendo de vez a ilusão de maturidade. Vou deixando que ela me convença que não dá mais, que não tem mais volta, do café ao lamento sem gozo da janta, deixo claramente, desisto, insatisfeito e sem mastigar. Perco a fala, me confundo, vou me entregando antes do começo. Pude somente esboçar uma furia vaidosa, dirigida a não sei quem. Não dá, não sei fazer, não quero. Já me cansei de falar, de escutar sua voz solene sua voz eterna, inalcansável, dona da casa e até da comida. Me cansei dessa voz ingerida, absorvida no sangue, incrustada no meu corpo como o cheiro azedo dessa casa. É lentamente que eu morro, é muito devagar que ela me faz perder a vida. Vem com a chuva, essa voz, esse cheiro, essas lágrimas eternas, esse ar insuportável chuvendo em mim grosso, desde o céu e entrando pelas janelas e portas fechadas, insinuando-se entre as frestas, por debaixo das coisas. Vem trazer a chuva pra dentro de mim, vem me molhar de sal, vem me matar, vem me calar, vem, lentamente, me fazer desistir, me fazer lamentar, não dá, não sei fazer, não quero.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Rascunho

Vi, quando passou por mim, que dessa vez não olhava pro chão, como fazia sempre. Hoje, seus olhos caminhavam sem desviar do traçado reto que já tinha criado na noite anterior. Tinha na cara esse ar raro da certeza de algo, ou, nesse caso, esse ar asfixiante do desejo, seguro estava de encontrar o que tinha ido buscar. Era claro que ele queria viver nesse instante todo o seu resto de vida. Passou por mim ser ver-me, e eu por fim o vi por primeira vez, a meu irmão, a mim espelhado naquele quase homem ainda imaturo, virgem de todos os sexos.
Era já o dia seguinte quando cheguei e imaginei toda a cena, nesse dia já tinha caído outra vez, e seus olhos já se arrastavam uma vez mais. Ele seguia caminhando diante de mim que não estava ali. Caminhou até a porta do pátio, minha casa era pequena, e entrava muita luz pela janela, talvez foi por isso, pela luz, nunca se sabe bem essas coisas, não se conhece a vontade dos outros. Estava um pouco aberta a torneira, lembro que aquele gotejar me incomodava bastante, cada gota era uma noite perdida, uma depois da outra caíam em sincronia, guiavam seus pés num ritmo determinado. Depois não se escutava mais, já não se escutava nada, era um silêncio pesado. Eu via que ele seguia parado, desenhando com as mãos sobre o céu, apontando algo. Pintava sempre coisas amenas, trabalhadas aos poucos, dessa vez já tinha pintado o quadro, na noite anterior, já tinha pintado tudo, a luz da janela, seus olhos fixos, o ar denso. Esse irmão eu não conhecia até aquele momento. O estranho é que no mesmo instante - saberia de tudo depois - eu também olhava o céu, sem muito interesse, e foi aí que atendi o telefone, aturdida por vê-lo com vida, minha mãe me descrevia a mesma cena que acabei de presenciar, um dia depois. Continuava parado ali, imóvil com o quadro já pintado. O que aconteceu depois não se pode descrever. Havia, lembro, muita luz. Era tudo branco. Já quase não via nada. Caminhei um pouco, queria ver melhor. Nada. Estava cego pela luz. Era essa luz grossa, sufocante. Tentei tapar com as mãos a cara, era impalpável tudo, como um sonho relembrado. Mas tinha certeza, eu estava ali. Foi quando tentei tocar-lhe, entender que era toda aquela luz, por que não lhe fazia mal? Depois, no outro dia, quando cheguei a casa, vi bem tudo, ele estendia o braço, agarrava algo, em meio a toda aquela cegueira conseguia ver outra presença ali, imaginada na noite anterior, desenhada. Baixou o braço, os olhos e já pude ver sem dificuldade que entrava uma vez mais encurvado, arrastado e por fim me via chegar, entrando pela porta sem vê-lo, como sempre fazia.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Bárbara

Me doy vuelta, porque me tenia que dar vuelta, tenia que mirar, tenia que verla...la vi por primera vez, o por última vez, tan parecidas eran las dos cosas, la vi caminando con su ya conocida manera de caminar. Llevaba un vestido puesto, casi negro y gafas, ocultando quizás unos ojos sin vida, y yo anticipando cada gesto suyo, la veía dejar las flores en su própia tumba, tan igual era a la muerta, tan parecida a su modo de estar, no más, parada, quieta, yo confundido, la miraba como si ella fuera mis recuerdos muertos, mi mujer fallecida, mi vida creada, y por un rato pensé que tal vez ella tenía otra vida que no conocia, como si todavia estuviera viva, y que la podía ver, la podía tener, y ciego y sin tacto, la seguí disconforme.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Meu único modo

Trinta minutos e seis meses durou aquela viagem. Era o meu único modo de lidar com as coisas, pensar na espera, no caminho, alongar a estrada ao infinito, imaginar uma vida para cada pequeno e invisível pedaço de terra que íamos percorrendo, eu sozinho como sempre, fugindo da presença morta que me distraía, de qualquer sussurro que encurtasse aquela vida criada, aquela viagem lenta de meses recordados entre passar de árvores e cercas, seguia querendo não chegar, atrasar um pouco mais, desconstruir intensamente a chegada, o sentido incompreensível daquele caminhar. Eu, buscava ali, no ir-se escapando do asfalto e dos detalhes passados que deixava, o seu rosto reconstruido no rosto de outras, nos grãos de terra, nos trinta minutos já vividos há tempos, na ilusória espera da sua indiferença irremediável.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O que sobra

Resta, meu caro Vinícius, acima de tudo, esta vontade desamparada de voltar a lembrar. Resta esta insônia ao contrário.
Resta, aqui comigo, o peso arrastado da maturidade, a indiferênça do meu idioma falso.
Resta inclusive, e outra vez mais, este cheiro de ônibus, estrada e descaso.
Resta, sempre, o meu medo de olhar.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Outra vez mais

Cada despedida são várias, estou seguro. Cada uma carrega em si a incerteza da volta, a dúvida da insensibilidade, poderia ter vivido mais, poderia ter sentido mais, ser menos... cada olhar desviado são todos os olhares passados, incomprendidos, criando uma vez mais a falta de sentido do último beijo, da última palavra inútil, da tentativa de terminar nunca mais ali. Cada despedida é um estar perto do que foi um dia, não o fim, mas outra coisa, inventada e esquecida lentamente pela falta de vontade, pelo desânimo, por uma maldade sem culpa desejando que nâo fosse nunca e que acabasse sempre no mesmo instante em que nasceu. Cada despedida são várias vidas inventadas.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Versões do mesmo tema

Eu poderia viver aí, calado, num canto qualquer da sua boca.
Poderia viver no silêncio da sua voz, recriando surdamente seu incansável sotaque infantil. Poderia viver sem o gosto digerido da tua língua e do nosso sexo, viver no toque imperceptível de seu cabelo em minha boca, ou viver ainda na sua carícia descuidada.
Nos seus olhos fechados não posso! Não posso sem essa espera a que os meus se acostumem à penumbra grossa do nosso quarto, a fim de ver lentamente, apalpando quase, suas costas avermelhadas, suas muitas marcas de inocência.
Não posso sem essa pouca luz, sem esse movimento involuntário do meu rosto em seu corpo ou seria do seu corpo em mim, tão pouca luz há sempre aqui entre nós, nesse quarto noturno, você sempre com os olhos fechados, não posso sem seguir buscando nessas suas pequenas imperfeiçoes o sentido pálido do meu amor platônico.


Não era a pouca luz, o que me calava ali, eram os meus olhos que mudavam, ou aquele rosto infantil que clareava pouco a pouco o meu quarto cinza.
Era o detalhe da sua boca e o seu olhar distraído que não se fixava em nada, apenas, e apesar de tudo, em meus olhos, ou na sua própria imagem que via duas vezes em mim, pequena e redonda, tão perto estava de meu rosto que era como olhar-se a sí mesma, sentir a própria respiração na pele.
Abria seus olhos ao máximo, e ali me enxergava a mim e àquele tom amarelado, vindo talvez de seus olhos fechados, iluminando seu rosto quase por inteiro, e à sua pele, salpicada de um vermelho claro, como o outono seco la fora.
E logo o meu rosto refletido olhando a mim e a ela simultaneamente, confundido na largueza daquele momento, daquele piscar de cílios que me distraíam e me traziam de novo ao meu quarto, à minha janela branca, ao meu egoísmo de sempre, ao meu silêncio.

domingo, 29 de junho de 2008

Imcompleto...

Não está dentro de mim, não vem daqui essa vontade de rodar. Nao sei dançar! É a chuva que molha meus pés, que encharca meu corpo. É a chuva densa daqueles lados de lá, de água negra e avermelhada, é ela que cai em mim. Tenho ainda o seu gosto e o seu ruído surdo, dessas tardes quentes, da minha janela sem vidros. Não está dentro de mim isso que me faz querer chorar, isso que tira meus pés do chão, que escorrega devagar o piso sob mim. O que é essa saudade do som de uma terra, surda aos ouvidos desacostumados, o que é a ausência da palavra? Qual é o vazio que nunca soube porque sempre esteve comigo? Qual a única certeza que me faz rodar...?

terça-feira, 10 de junho de 2008

Bastante

Que porçao de vida seria essa que nao transborda, que cabe conforme. Essa coisa sem nome que se diz felicidade, que me olha de longe e nao busca nada em mim, nao enxerga depois de meus olhos. Que seria isso senao uma vontade falsa, um desejo inconsistente de vida. Nao blasfemo contra lares incontestaveis, nao quero ser o tambem falso suicida. Mas digo da necessidade de morte, do incontido, do nao ser, aquilo que falta e que sobra na beleza e tristeza do mundo.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Mi casa

Es inutil. Esa mirada no me sirve más. Esa mirada nunca me ha ayudado. Ya se terminó el tiempo de miradas. Asi no me ayudás, ya no podés. Sigo solo buscando mis pequeñas cosas en tu mundo. Vos me has dejado aca parado. Me has visto de boca abierta, pero mudo y sin oidos para tu lengua extranjera. Es inutil, hablo otro idioma. No me mires así, no me juzgues. No cierres los ojos. Es inutil. Dejame seguir guardando estas extravagancias, dejame cuidar de mi casa. Es con esto, con estas inutilidades que he vivido lejos de ti, con estas pobres formas sin vida que creo mi felicidad, de a poquito, muy lentamente, cosechando todavia en tu hogar. Es así que invento mi pedazo de vida sin vos, con mis miles y miles de pequeñas cosas tuyas.

domingo, 25 de maio de 2008

Queria dizer...

Queria dizer, minha falta de tato, meu limite de mim. Essa coisa, invisível, contendo meu entorno, protegendo o ar do meu frio denso. Isso. Esse hálito sem gosto, seco, não reprimido, que volta a mim numa vingança imediata das coisas que disse, secando-me as lágrimas dos olhos, queimando meu estômago, revolvendo tudo que comi calado. E esse quase vômito é o pago da minha falta de tato. Isso te contava, isso queria dizer. É como a culpa por ver meu ego, arrependimento de mostrá-lo a mim, agrandado. Mais devagar voce diz? Meu tempo?

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Necessitade de algo

Necessitava mais. Queria uma dose mais de amor criado, dessa coisa sem tempo que ele ia inventando entre os dois. Era pouco, pensava, nao bastava a troca de fluidos, a fuga fortuita entre falas absurda de desamor, nao bastava um sorriso na cara, o cheiro de gozo. Criava algo mais, dilatava o tempo do comer e do saborear, cuspia fora o gosto de terra, convertia o barulho da chuva em melodia pensada, preso a um ser distante dele, perdido em algum lugar da historia. Seguia insuportavelmente seu desejo de amor inventado, palido, perdendo do amor seu casual jogo de sombras e aparencias.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Esquiva

Muito tempo passei com meu egoismo, te apagando, te esquivando, desmisturando o mundo. Respirava do seu rastro o pó acido da desesperança, do esquecimento. Queria matar algo em mim, algo alheio, incrustado minusiosamente em minha pele e em meu cheiro saturado, tao ligado a meu ser, tao pertencente a mim, que mata-lo seria um suicidio consciente. Mas era preciso morrer uma morte rapida, era preferivel cometer um crime insano que seguir privando-me de ar, seguir afundado na poeira de seus pés caminhando. Nao pude, nao tive maos fortes, a corda atada a mim nao foi o bastante, nao pude cortar-me em pedaços, nao fui capaz de saltar do decimo andar, rasgar-me as entranhas, destroçar-me. Matei-me pouco, superficialmente. Moribundo e mais ameno, vi meu absurdo egoismo, meu destino guiado por olhos torpes e sujos de seu suor, de meu fracasso, nao pude morrer nem matar-te. Voce segue viva sem mim, sem meu sopro. Te dei as costas covarde, para que rasgasse com as unhas meu corpo ao contrario, voce nao conseguiu, tampouco soube o que fazer naquele momento. Era preciso um ranger de dentes, ou uma troca de olhares. Nada. Nao houve nada entre nós. Nao temos lugar, nao temos mais historia, nao temos prazer em meu egoismo. Era preciso matar-me.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Ilusao Amarela

Bailaba. Movia o corpo sem pudores com violencia ruidosa, deixando todos estáticos ali, em suas danças mediocres sem cor, ela bailaba amarela, um amarelo sonoro que reverberava em mim, sujeitando meus olhos a uma dança que nao sabia ate entao, seguindo seus cabelos loiros, conhecendo pouco a pouco os seus contornos translucidos, iludindo o tempo e o espaço, movimentando-se em meus olhos lentamente, desenhando-se a mim em um fundo escuro, com lapis brando, um permanente rabisco, acompanhando seu grito de vida, seu violento bailar extasiado. Fui me afundando ali, apagando os bordes de minha visao, borrando o excesso de luz, esquecendo involuntariamente tudo que nao fosse minha ilusao amarela, minha ilusao sonora, porque já era minha aquela dança, já era meu aquele contorno, já era minha aquela irrefreavel vontade de vida.

sábado, 3 de maio de 2008

Desejo com saudade

Está tudo aqui, nesse meu brinquedo azul refletindo seus olhos redondos de flor. Está tudo aqui nessas pequenas coisas intangiveis. Um hoje repassado por mim, estremecendo meu corpo e meu desejo impotente de voltar a ver, de seguir embriagado seus tortos passos inseguros, seu caminhar instavel como um voo raso de garça. Que beleza eu via ali! Era um espetaculo incalculavel, ver-te e seguir seus movimentos de menina, sem medos alheios, como quem balança desprevenida de um galho de arvore seca, como quem caminha por sobre uma fina linha imaginaria, traçada rigorosamente reta, um cair a cada segundo, um quase destroçar-se, sentir-se livre da gravidade do mundo, seguir apenas, com o peso do seu corpo. Está tudo aqui, na sua quase presença. Esse caminhar, essa troca de passos, esse corpo desnudo, talhado molde de minhas maos e de minha boca saciada. Está tudo aqui, na sua quase presença intacta e ausente de vida. Esta tudo nesse sentimento que vem as vezes, seguido de um cavar de terras e passados, de um insistente desejo de maturidade, caminhando comigo um dia inteiro, ao meu lado como um braço ou um som relembrado, torto, esse som familiar de seus pés em meu quarto escuro. Voce é essa sua presença sem vida, voce é meu brinquedo azul, suas palavras andantes, é minha saudade e minha linha imaginada.

Maos sedentas

Buscar a dor seria absurdo, encontrar prazer em cavar a terra com maos conscientes, permanecer imovel em postura quadrupede com as maos em frente ao rosto, afundando-se em chao molhado, sentir esse cheiro de grama e barro, afundar-se ai com boca sedenta...seria absurdo. Quanta calma ha em sentir-se unico dono inalcançavel do seu proprio desamparo, de sua propria fonte de dor. Deus e filho num unico corpo castigado, dilacerado entre saliva e dentes.