<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795</id><updated>2012-01-10T17:07:07.889-08:00</updated><title type='text'>Don de Huir</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>42</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-3826910710597692929</id><published>2011-10-11T21:48:00.000-07:00</published><updated>2012-01-09T10:27:22.801-08:00</updated><title type='text'>Eu quero alguém que...</title><content type='html'>Eu quero alguém que pule outra vez em minha cama, que desça correndo as escadas, que me faça sentir as distâncias percorridas por amor, que me sorria um sorriso de poucas manhãs, que baile somente, que me enlouqueça com a falta que me faz. Eu quero alguém que me acorde as três da manhã, que me diga somente obrigada por existir, que me asfixie de prazer, que ria de meus defeitos. Eu quero alguém que não me corresponda, que me chore lágrimas de saudades, que me questione de onde venho, que me faça beber e gargalhar, que venha sem receios de caminhar, e que me brilhem seus olhos, que me apertem seus dedos, que me grite sua boca, e que me sinta na pele assim como eu quero ser, único, narciso, sonhador!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-3826910710597692929?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/3826910710597692929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=3826910710597692929' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/3826910710597692929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/3826910710597692929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2011/10/eu-quero-alguem-que.html' title='Eu quero alguém que...'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-6484091283333949566</id><published>2011-08-01T11:48:00.000-07:00</published><updated>2012-01-09T10:30:26.274-08:00</updated><title type='text'>A espera</title><content type='html'>Que saia tudo de mim, nessas poucas palavras que jogo ao azar, e que nelas fiquem encravadas a espera que insisto em levar nos ombros, a doentia obsessão de ver todos os rostos da sua vida, meu orgulho de ser como quero, o seu riso dilacerante que nos faz igual, o sangue que por um momento deixou de passar por minhas veias, aquela rara sensação de não precisar mais de palavras e tantas outras coisas que agora me escapam e que você faz nascer com tanta naturalidade, que me confundo e nunca poderia dizer que não sou eu aquele que existe perto de você. Que tudo fique aqui nessas palavras e me deixe seguir, que meus passos vão com pressa e não suporto esperar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-6484091283333949566?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/6484091283333949566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=6484091283333949566' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/6484091283333949566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/6484091283333949566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2011/08/espera.html' title='A espera'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-8574673777660240618</id><published>2011-02-26T06:28:00.000-08:00</published><updated>2012-01-09T10:31:37.181-08:00</updated><title type='text'>Desencontros</title><content type='html'>Estou à minha margem mais uma vez, já não me basto no corpo que me limita, e tenho do pouco que me sobra, desse rio ignorante, o arremedo frágil soluçando quase sem ar, ranhuras apenas de vida. Ah doce sensação de estar à margem, me rasgue por inteiro, não tenha medo, eu quero ver meu corpo dilacerado pela chuva, quero estar no chão, enraizado na terra, eu quero reconhecer minha casa na ferida aberta pelo calor do sol, quero reconhecer minha alma nos meus restos mortais depois da tempestade, e que os dias passem, e me assole o gemido sincero das palavras, o frio da distância, a dor da perda, o dissabor do não dito sem receios. Que os dias passem, e me atravesse por completo a vida daqueles que não têm medo de viver da terra, dos que arrancam com as próprias mãos o sustento da alma, daqueles que cegados pelo céu, apostam sua riqueza nos grãos de areia, nas palavras simples, no toque das mãos, que me atravesse a vida dos que ainda vivem. Estou à margem de mim mesmo, me busco desesperadamente e não encontro senão o meu revés desajeitado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-8574673777660240618?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/8574673777660240618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=8574673777660240618' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/8574673777660240618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/8574673777660240618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2011/02/desencontros.html' title='Desencontros'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-5800282192039819133</id><published>2011-02-03T15:49:00.001-08:00</published><updated>2011-03-02T07:47:02.449-08:00</updated><title type='text'>Silêncios</title><content type='html'>É eu sei, é no seu silêncio que eu me reconheço, mas é preciso que seja assim, fugaz como toda partida. Eu sei, é no seu silêncio que tenho aprendido a curar a minha dor, é no seu silêncio que escuto a minha voz ecoando, é nele que eu gozo os meus prazeres mais cutâneos e me transformo em ser carnal, viril e saciado. Longe do ruído das ruas, é no seu silêncio que eu deixo escapar quem eu realmente sou, e me entrego a vós e a mim por completo, é no seu silêncio e nesse quarto mudo que tenho escutado gritos de ternura e presença sua, é no seu silêncio que eu me ouço. Mas é preciso que seja assim. Que gritem outras vozes, que não me reconheçam, que deixem passar de lado o silêncio necessário ao gozo. É preciso abrir-se ao mundo, e que ele nos coma por completo, e que nos envolva em silêncios, gritos e ruídos de paixão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-5800282192039819133?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/5800282192039819133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=5800282192039819133' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5800282192039819133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5800282192039819133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2011/02/silencios.html' title='Silêncios'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-8510212938749341628</id><published>2010-12-15T19:43:00.001-08:00</published><updated>2010-12-18T14:53:03.707-08:00</updated><title type='text'>Que tudo permaneça</title><content type='html'>Que tudo permaneça assim, que não saia voando a vida pela janela que você acaba de abrir, deixa entrar toda essa luz, segura bem os seus cabelos e que o vento inunde essa casa de chuva, e me encharque desse seu olhar de mulher madura, e traga de vez a água fresca que eu buscava pra mim. Que tudo permaneça assim, que o seu sorriso lento continue a seduzir-me pouco a pouco, e que me contagie como um bocejo, e que do seu ar deslumbrante me reste sempre o seu fascinante jeito de menina e que nunca escorra de entre os meus dedos. Que tudo permaneça assim, ainda em mim, o seu cheiro, ainda em mim, o desejo de estar agarrado a seu mundo. Que você permaneça assim, tão viva como o próprio sol, que você permaneça, e irradie a beleza desse momento e que me acerte de vez essa enchurrada de vida e que escorra a minha alma definitivamente pro seu mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-8510212938749341628?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/8510212938749341628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=8510212938749341628' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/8510212938749341628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' 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engulo seu sabor  a toque áspero de minhas mãos e parto outra vez a comer-te inteira com a mordedura de meus olhos em seu corpo, essa fresta de corpo escapando fugaz entre suas roupas me ferve o sangue e transforma os meus dedos em sexo, meu corpo todo em prazer premeditado, anunciando em voz baixa a nudez demorada de toda a sua sensualidade sórdida esperando o toque de minhas mãos, a mordida violenta de minha boca; vou te despindo lentamente, reconhecendo no meu paladar a delícia dessa parte inconcebível existindo entre seu colo e seus seios, cravo meus dentes, escuto minimamente seu grito de prazer e me perco, pequeno como uma semente, plantado em você, e num mesmo corpo extasiado, sendo nós e eu mesmo, morro, entregando-te meus fluídos e minha alma em devaneio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-4944970444402615360?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/4944970444402615360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=4944970444402615360' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/4944970444402615360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/4944970444402615360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2010/06/seu-sabor.html' title='Seu sabor'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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à deriva, louco, imaginando platônicamente meu gozo nas pequenas partes desse encontro furtivo de nossos olhos, você sempre tão linda, desvio os olhos com as mãos relutantes, há tantas coisas rondando minha cabeça, e meu corpo à espera da sua luz, ilumina, faz viver com a sua malícia de menina o meu olhar cauto sobre seus gestos, traz de volta o prazer pro meu quarto escuro, desenha pouco a pouco, brinca de ser minha, me dá algo para tocar, me alivia da falta que me faz, vem de novo ser parte do meu mundo, sorria apenas, me conformo, seu sorriso é quase um mundo, caminha devagar, entrelaça as suas pernas eternas em mim, é com pouco que eu me farto, já não quero muitos pedaços de sombras, prefiro a brisa que você deixa passar, me abraça brisa, fugaz, que é com o desejo de ver-te aqui, a cinco centímetros dos meus olhos, que eu me apanho por completo, e vejo cada parte sua como um perfume, e me transformo, de vez, em amante infindável e deslumbrado de você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-6733379445162730025?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/6733379445162730025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=6733379445162730025' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/6733379445162730025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/6733379445162730025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2010/05/seus-olhos-furtivos.html' title='Seus olhos furtivos'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-5581419646220702113</id><published>2010-05-09T16:09:00.000-07:00</published><updated>2011-09-12T08:32:26.261-07:00</updated><title type='text'>Desencanto</title><content type='html'>Juliana, agachada, pegava uma a uma as peças do seu vestido de noiva espalhadas pelo chão, enquanto pensava em voz alta - era costume antigo falar com o vento - que motivos teria Julián para sumir assim na última manhã juntos, ela que havia deixado o marido na porta do hotel, gastava o seu tempo em Julián, mal sabia que teria que inventar uma boa desculpa horas depois. Julián não queria a partida, despedir-se era um preço que ele não podia pagar. Tantas coisas havia perdido e ainda lhe escapava a lógica da vida, vê-la por última vez era borrar a sua presença para sempre, era inevitavelmente emoldurar o seu amor naquela imagem manchada do vermelho dos cabelos de Juliana. Julián não queria carregar um quadro nas mãos. Fugiu, como ela, para estar sozinho, sem as horas do tempo. Abriu os olhos na noite anterior, antes que ela pegasse no sono, e não os fechou mais, saiu ainda cedo, deixou suas marcas de cheiro de café, e água de chuveiro, tomou de assalto a bicicleta de Juliana, esqueceu-se do trabalho, da maturidade, do marido traído, e saiu como criança sorrateira, fugiu até a esquina, pedalando meio sem jeito, com as suas pernas torpes, deixava a casa e a vida para trás. Juliana queria congelar o tempo, carregar na memória a imagem de um amor desencantado, sem as certezas de uma vida, ela queria dar um lugar para esse amor escondido, para esse amor mais humano que o seu vestido de noiva. Era moça de guardar foto, lembrança e até rancor e ódio. Julián era mais misturado à terra. Ela menos. Foi seguindo as suas pegadas molhadas que ela chegou ao cheiro de café da cozinha e à porta aberta da garagem. Vestiu-se, como era de se supor, com o seu vestido de noiva - Juliana não era nada prática, esquecia-se sempre que o dia vem depois da noite. Sem a bicicleta não pôde mais que esperar. Julián estava ali, cansado da fuga voltou sem demora carregando a bicicleta nos braços com tanto zelo, prostrada num semblante de morte, aproximou-a de Juliana, ruiva como lhe atiçava os sentidos, e entregou o brinquedo arrependido do furto. "Fica mais um dia", pediu como quem perde um abraço, "não posso", Juliana olhava bem nos seus olhos, não queria perder nenhum detalhe do seu rosto de homem maduro, Julián achou normal o vestido de noiva, não disse nada, afastou-se devagar, olhou hesitante uma última vez os cabelos ruivos, não quis tocar nada, não era um quadro que ele queria, era a beleza de estar ali, não estava mais, voltou o corpo e como estava perto da casa, entrou logo fechando a porta rapidamente. A Juliana não lhe restava mais que reviver aquele ser sem vida deixado em seus braços, pedalar, e pensar numa boa desculpa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-5581419646220702113?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/5581419646220702113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=5581419646220702113' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5581419646220702113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5581419646220702113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2010/05/desencanto.html' title='Desencanto'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-6893580755028811544</id><published>2010-04-27T17:46:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T17:42:31.718-07:00</updated><title type='text'>Minha alma, minha herança eterna</title><content type='html'>E é assim que as coisas perdem o sabor de têm de coisa, e ficam à deriva, borrando a vista e o gosto, existindo numa matéria inerte chamada brevidade da vida.&lt;br /&gt;Sem tempo e seco de lágrimas sigo perdido nessa hora eterna perto da morte e do sem sentido prazer da existência.&lt;br /&gt;Chora peito!&lt;br /&gt;Exaspera a sua dor...&lt;br /&gt;Soluça esse ar quente,&lt;br /&gt;molha bem os meus olhos,&lt;br /&gt;agora é hora de chorar.&lt;br /&gt;Morre minha alma!&lt;br /&gt;Morre sem dor, sem lamento...&lt;br /&gt;Vai para o seu lugar perto dos anjos,&lt;br /&gt;leva com a senhora, minha alma, o meu amor inconteste!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-6893580755028811544?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/6893580755028811544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=6893580755028811544' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/6893580755028811544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/6893580755028811544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2010/04/minha-alma-minha-heranca-eterna.html' title='Minha alma, minha herança eterna'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-6555450426165985286</id><published>2010-04-27T17:33:00.000-07:00</published><updated>2010-05-30T18:05:06.580-07:00</updated><title type='text'>Eu menino</title><content type='html'>Achei que tinha perdido entre as minhas terras vividas,&lt;br /&gt;como quem vive uma vida curta,&lt;br /&gt;e já nem me lembrava mais,&lt;br /&gt;que em cada palavra eu deixava todo o desejo de uma noite não dormida,&lt;br /&gt;nem me lembrava,&lt;br /&gt;que havia falado de uma paixão em mim que já não conhecia,&lt;br /&gt;que havia dito, tantas vezes, de uma vontade que transbordava,&lt;br /&gt;que havia sido inocente como menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal lembro do tempo desde aqueles dias...&lt;br /&gt;fui me perdendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te escuto, e saboreio&lt;br /&gt;sua voz me contagia de você,&lt;br /&gt;te vejo, agora, trazendo a sua chuva doce pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei,&lt;br /&gt;aprendi a desconfiar do amor&lt;br /&gt;e o seu é tão de graça&lt;br /&gt;que me inibe e me confunde e me comove&lt;br /&gt;e não há maneira de não me molhar,&lt;br /&gt;de não prever o mergulho,&lt;br /&gt;de estar calado e seco dessa água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei que tinha perdido,&lt;br /&gt;achei!&lt;br /&gt;pensei que tinha deixado pra trás...&lt;br /&gt;mas eu continuo aqui,&lt;br /&gt;meninamente,&lt;br /&gt;bolindo com o meu sangue&lt;br /&gt;ansioso por noites não dormidas&lt;br /&gt;transbordando ainda em mim!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-6555450426165985286?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/6555450426165985286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=6555450426165985286' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/6555450426165985286'/><link rel='self' 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olhos e imaginá-lo ou procurar bem nas suas coisas, nos seus desejos, e aí ele vai estar, estaria sempre.&lt;br /&gt;A vida que eu poderia ter vivido a seu lado, está aí, na sua casa, silenciosa te dizendo diariamente "eu quero estar aqui".&lt;br /&gt;De você, não sobrou nada em mim!&lt;br /&gt;e sem querer eu me pergunto consciente, mesmo antes de te ver..."o que você quer?" e em seguida você responde, dissimulada, ignorante da sua propria condição inexistente, "não quero estar aqui!" já não está, ya no estás...&lt;br /&gt;dessa vez resta o ridículo desamparo que mando embora sem receios, apontando a direção sem olhar pra trás. "Adeus", digo, "insensatez".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-1973386625314217603?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/1973386625314217603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=1973386625314217603' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/1973386625314217603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/1973386625314217603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2010/03/ah-insensatez.html' title='Ah insensatez'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-5966354377345687398</id><published>2010-03-09T10:20:00.001-08:00</published><updated>2010-03-09T10:21:14.127-08:00</updated><title type='text'>Cortázar</title><content type='html'>"Como no sabías disimular me di cuenta en seguida de que para verte como yo quería era necesario empezar por cerrar los ojos."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-5966354377345687398?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/5966354377345687398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=5966354377345687398' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5966354377345687398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5966354377345687398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2010/03/cortazar.html' title='Cortázar'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-1269101596016359254</id><published>2010-03-03T10:09:00.000-08:00</published><updated>2010-03-03T10:10:27.093-08:00</updated><title type='text'>Portuñol</title><content type='html'>Aos poucos vou (re) aprendendo meu português&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-1269101596016359254?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/1269101596016359254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=1269101596016359254' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/1269101596016359254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/1269101596016359254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2010/03/portunol.html' title='Portuñol'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-6392490100071532907</id><published>2010-02-23T09:53:00.001-08:00</published><updated>2010-03-03T10:09:46.115-08:00</updated><title type='text'>Fernando Rodríguez</title><content type='html'>Fernando Rodríguez nasceu na imensa pampa uruguaia no ano de mil novecentos e dois. Filho de imigrantes logo reconheceu na terra úmida o que um dia mais tarde sempre foi seu. Corria campos com tornozelos livres de quase voar. Dizia que o chão era o seu mais longínquo céu, sendo tão inalcançável a união entre a terra e o azul do horizonte pampeiro. Gostava desde menino de sentir a realidade das coisas com os próprios e inexperientes sentidos, exigindo experimentar. Explorava cada pequena coisa com tamanha minúcia que Fernando Rodríguez e coisa mundana não eram mais que um só suspiro de existência.&lt;br /&gt;Agarrado às coisas do seu mundo, Fernando Rodríguez aprendeu a deixar o mundo falar. Não perdia um único entardecer ocidental, refletindo o vento livremente naqueles campos de um verde pálido. Escutava, sem demoras, bater nas margens o som do rio, pequeno naquela época e incessante como os seus pastos cotidianos. Gostava muito de caçar bicho, pegá-los nas mãos, sentir o cheiro azedo do vaga-lume, do mato, da chuva rio-platense.&lt;br /&gt;Criado sem irmãos, Fernando Rodríguez sempre gostou de ser sozinho no seu mundo. Era nas silhuetas de mundo que ele gostava de conversar, com os seus sentidos reinventados na terra que lhe escorria pelo corpo. Fernando Rodríguez era feliz. Só teve um único medo, paradoxo da sua condição excitante de vida, o medo da dor, física. Por sorte, nunca teve arranhão, machucado, perna quebrada, sarampo, catapora e nunca sofreu de dor de pele nem de cotovelo. Quem sabe no não saber, morava o medo, claro, sem conhecer a razão humana da dor em si mesma, no seu mais sensível existir, Fernando Rodríguez comparava o prazer e temia a dor.&lt;br /&gt;Aos quinze anos apaixonado pela musica, foi sem reservas à escola de musica de Buenos Aires. Escolheu a flauta transversal, não pela herança européia, mas pela pampeira, tanto tempo treinado na arte do vento soprando na pele e na boca, foi. Ali aprendeu outra vez as coisas do seu novo e mesmo mundo de sempre. Foi nessa época que Fernando Rodríguez aprendeu com mais esmero a olhar e a sentir as pequenezas das coisas, cinza era a cidade e poucas margens ruidosas de seu conhecido som mareado, foi obrigado a procurar entre as frestas o seu sempre pedaço de pampa.&lt;br /&gt;Passaram os anos e ele então, cada vez mais dentro da terra, aprendeu musica, viveu entardeceres, passando pela vida à margem do não apreensível, da ilusão urbana de realidade. Criou para si, o mesmo mundo criado a principio para todos nós, com terras, cores, cheiros, luz e gosto de chão.&lt;br /&gt;No entanto, Fernando Rodríguez é, e sempre foi feito da mesma matéria etérea que o apaixona. Em 1988, já quase não sopra a sua música, já quase não ouve os seus ventos, já quase não vê a sua luz ocidental de toda tarde. Fernando Rodríguez envelheceu demais, e feliz. Aprendeu, como ninguém, a matéria de que é feita o mundo. Como ninguém ele mergulhou ali com tanto prazer e curiosidade que não sentir era não ser, e Fernando Rodríguez foi mais que todos no mundo, foi mundo. Sua velhice trouxe mais minúcias. Vive hoje em seu apartamento no décimo andar com seu peixe e suas flores. É dono de uma floricultura. Todos os dias desce até a calçada da frente, caminha com dificuldade e cuida das suas plantas com o mesmo entusiasmo infantil com que corria campos sentindo a terra descalça como ele.&lt;br /&gt;Aos 86 anos, feliz de toda a vida, é violentamente acometido pelo mal do seu século, sem aviso, sem experimentar uma vez que fosse a dor, Fernando Rodríguez está assustado, mas sem medos, é um homem vivido e sabe que voltará ao mesmo chão comprido e eterno de onde veio. Fernando Rodríguez não quer morrer, mas precisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-6392490100071532907?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/6392490100071532907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=6392490100071532907' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/6392490100071532907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/6392490100071532907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2010/02/fernando-rodriguez.html' title='Fernando Rodríguez'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-8401436383775377671</id><published>2010-02-15T16:17:00.000-08:00</published><updated>2010-08-30T11:08:47.789-07:00</updated><title type='text'>Inevitavelmente</title><content type='html'>&lt;div&gt;Pois é...ela foi saindo da minha vida. Saiu. Mas o seu rosto ainda permanece aqui  bem perto dos meus olhos, tão perto, quase dentro de mim. E eu que disse que queria ela assim, que queria ver cada parte do seu rosto tão perto que mim, misturadas comigo mesmo, aqui nesse ponto de vista  irreal da sua pele tocando levemente meu desejo de eternidade, e eu que disse tanta sinceridade, deixei ela ir, fui. E você me diz que quem sabe, na melhor das hipóteses, nesse mundo grande de devaneios, idas nunca vindas, eu queria, sem saber se quero, estar, seguir ali naquele lugar ainda aqui, tão perto do seu rosto sorrindo, você diz que eu deveria ignorar a terra ocre, deixar voar minha carne a lugares imaginários, dizer do seu destino, fazer-me parte de algo que não sei, confuso, cair de cara no fim do mundo sem o toque leve de todas as partes do seu rosto. Não me subestime, não diga o que eu sempre sei. Ela vale mais do que o meu desejo, ela é mais que a minha vida de agora, deixa ela ir, deixa doer, estou tentando, estou deixando, estou indo. Pois é...eu vou, sem querer ir, pra onde ela está, inevitavelmente, pra dentro de mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-8401436383775377671?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/8401436383775377671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=8401436383775377671' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/8401436383775377671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/8401436383775377671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2010/02/pois-e.html' title='Inevitavelmente'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-5281025559661481372</id><published>2010-01-24T12:22:00.000-08:00</published><updated>2010-01-24T12:49:15.960-08:00</updated><title type='text'>Ainda não</title><content type='html'>Estranha condição a do extrangeiro, uma vez de volta, distante sempre do eterno retorno, em busca da sua terra, perde a sua gente, o seu ser duplicado na vida de tantos outros mutantes, ele proprio vai se desvanecendo em quem nunca foi, seguro de estar onde sempre esteve, longe do que, talvez, um dia quis ser. Estranha condição a do extrangeiro, tentando sem confiança, falar o seu já datado idioma, confundido entre sims e nãos que supõe entender, uma vez entendido, uma outra vez dito com tanta clareza, que nessa condição, quem sabe humana, da realidade palpável e não ilusória das coisas, ele tambaleia, calado, tímido, porém curioso, entre o não ser errante, morador do mundo, e o ser arraigado de tantas raizes aprendidas, colhidas no chão, arrancadas da terra pisada. Estranha condição a minha, estranhando o já visto, vendo o tempo, impossível, agarrar-me pelas costas e fazer-me proprietário e senhor do devenir, está em minhas mãos a moldura do meu pedaço de tempo. Estranha, louca e excitante condição a da minha volta, ainda sem lugar, mas dono do tempo, vou pisando raízes e brincando de não ter lar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-5281025559661481372?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/5281025559661481372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=5281025559661481372' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5281025559661481372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5281025559661481372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2010/01/ainda-nao.html' title='Ainda não'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-5240960803793063109</id><published>2010-01-21T17:05:00.000-08:00</published><updated>2011-09-12T09:16:13.315-07:00</updated><title type='text'>A minha nossa violência de muitos dias</title><content type='html'>Tenho tantas dúvidas nas mãos e fecho os punhos num soco violento. Sem defesas, vou de encontro a sua cara, abaixe a defesa, não sou mais que um filho, abaixe logo a defesa, renda-se, deixe a minha mão varar em sangue a sua vida, uma marca mais, mais justa, mais minha. Essa é a violência que eu quero, que você não pode suportar, então renda-se, não suporte, me olhe aqui no chão e abaixe a defesa. Quem te fez senhor absoluto de todas as minhas coisas? O mesmo punho fechado, as mesmas dúvidas de agora, as minhas mesmas mãos que eu lanço enfim contra você, me sangraram me cortaram me arrebentaram contra a parede e não tem mais volta, volta agora o meu punho, pra desfechar de uma vez essa violência minha e sua trancada aqui no meu peito. Abaixe a defesa, sujeite-se, não interfira, dê logo a cara, renda-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-5240960803793063109?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/5240960803793063109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=5240960803793063109' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5240960803793063109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5240960803793063109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2010/01/minha-nossa-violencia-de-muitos-dias.html' title='A minha nossa violência de muitos dias'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-6258205938938009472</id><published>2009-10-02T10:04:00.000-07:00</published><updated>2009-10-02T10:31:01.731-07:00</updated><title type='text'>Tus pecas</title><content type='html'>y me pregunto sabiendo ya de antemano la respuesta, por qué la misma canción suena ahora rara y opaca, por qué no tiene eco mi voz, no tiene eco mi guitarra, el porque que he desdibujado en tus pecas, tus pecas alumbrando otras voces, sin guitarras, sin embargo toco, ya no tengo ganas de amar a nadie, tenés razón, tenías razón, me voy, me estoy yendo, nunca estuve demasiado cerca de tus pecas, nunca estuve, no me podías amar, siquiera tocarme, soy algo palpable, no ves? algo palpable, no me tocan tu manos, seria simple si te hubiese dicho, me tocan tus palabras, no vienen nunca tus palabras, y yo sin saber esperar, y cansado y sin saber esperar, inútil, inútil mi voz cantando desesperadamente, no sé qué estoy haciendo aquí, hace mucho que no estaba, y tus pecas ahora lejos, y yo sin poder amar, y la respuesta que no quiero saber, que nunca te dije, se me viene el mundo encima, vayamos despacio, recién llego, pero no puedo dejar de extrañarte, y tu voz, y tus pecas, ay cómo me gustan tus pecas, soy un niño, un niño, no he crecido, me envejezco y quiero saltar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-6258205938938009472?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/6258205938938009472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=6258205938938009472' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/6258205938938009472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/6258205938938009472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2009/10/tus-pecas.html' title='Tus pecas'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-1710992401644347070</id><published>2009-02-20T05:54:00.000-08:00</published><updated>2010-08-30T11:20:11.830-07:00</updated><title type='text'>Não ser</title><content type='html'>Respirou fundo, buscou no chão a resposta daquilo - se não sabia a pergunta. Procurando algo entre as pedras pisadas, deu volta no corpo, olhou distraidamente fingindo seriedade, tateou a luz daquela tarde inútil misturada aos seus pés empoeirados. Tentou ainda voltar, arrastou-se um pouco com o peso de suas vidas passadas, "não dá mais", sentenciou, levantou com esforço os olhos vencidos e pode ver ainda, minimamente, que as sombras daquele caminhar coletivo, às seis da tarde, deixavam marcas tênues clamando-lhe existência, suplicando-lhe, na sua loucura, uma voz clara, um caminhar reto diferente daquela aberração do fim do dia. Foi isso que pensou, pobre. Estava longe e tão perto de casa que as coisas se confundiam. Saiu entrando na casa de sempre. "Não me conhece, ela não me conhece". Com cuidado tirou a mochila num solavanco, deixou-a num canto da casa, aquela mochila que me conhecia mais que qualquer um ali, ia agora ser espectadora da minha derrota, da falência inevitável do meu corpo em farelos, o estranho, ela deve ter pensado , é que ele se deixava vencer sem remorços, não dizia nada, sequer um grunhido malferido, eu já era outro morto privado da solene morte em passeata. Esperei com receio o abraço e o choro frio, o meu nascimento ao contrário, era agora a mãe, a exemplo da cria, que chorava exasperada a volta ao ventre. Estranha condição a minha naquele dia já visto, era só pisar firme naquela casa sem luz, era só sentir o abraço sufocante, desviar os olhos da rua e deixar de ser. Estranho. Não me reconheço. Volto ao cocho ao revés, sem fome, sem sede. Já estou saciado. Deixei lá fora, às seias da tarde, as minhas marcas tênues. Desatei-me com cuidado daqueles braços, tentei exitante enxugar a água daqueles olhos, olhei de novo pro chão, buscando dessa vez a pergunta, tateei fingindo comoção e gritei sem freios desesperadamente, "já não sou", chorando em silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-1710992401644347070?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/1710992401644347070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=1710992401644347070' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/1710992401644347070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/1710992401644347070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2009/02/nao-ser.html' title='Não ser'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-1230385677026475400</id><published>2009-02-16T04:22:00.000-08:00</published><updated>2010-02-23T09:50:05.610-08:00</updated><title type='text'>Calados como sempre</title><content type='html'>&lt;div&gt;Que estranho idioma o nosso, sem palavras!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estranhamente, contudo, te entendo. Sei tudo o que você quis dizer, mesmo não dizendo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Você fala do passado sem memória e de futuros já vividos ainda por vir. No seu transe comedido, na sua exasperação, usa palavras, se nunca fomos disso, se nunca nos falamos, se nunca acreditamos no som forte das coisas ditas sem tempero. Que mal há em seguir calados? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-1230385677026475400?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/1230385677026475400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=1230385677026475400' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/1230385677026475400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/1230385677026475400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2009/02/calados-como-sempre.html' title='Calados como sempre'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-5285204729264895304</id><published>2009-02-11T05:09:00.000-08:00</published><updated>2010-08-30T11:15:43.804-07:00</updated><title type='text'>Quando se está perto do fim</title><content type='html'>Foi prostrada em leito caseiro que ela me disse num soluço curto de choro, "não quero morrer", e foi-se acabando em fogo calmo. Aquela imagem de mulher, pedindo, sem saber a qualidade da súplica, olhava direto nos meus olhos, e era só eu ouvir a enchurrada do seu lamento sangrando quente em meus ouvidos, e entender cruamente que era eu o homem da casa, que eram minhas as panelas e louças daquele lar inacabado.&lt;br /&gt;Suas mãos em calma arrancavam forte a água dos seus olhos; sem meio-termos, sem voz solene, morria aos pedaços, calava em soluços abafados sem ar.&lt;br /&gt;Me disse sua última frase em silêncio profundo, sua última ordem não cumprida, já segura estava do fim inapelável, "não quero morrer, não posso".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-5285204729264895304?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/5285204729264895304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=5285204729264895304' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5285204729264895304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5285204729264895304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2009/02/quando-se-esta-perto-do-fim.html' title='Quando se está perto do fim'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-8146079559263986999</id><published>2009-02-05T15:52:00.000-08:00</published><updated>2010-05-30T18:17:59.840-07:00</updated><title type='text'>Voar sem asas</title><content type='html'>Nesses dias, vieram como ferro, cortando sem descanço o frio largo da minha pele apodrecida.&lt;br /&gt;Já estava morta qualquer coisa entre nós, mesmo assim, vieram.&lt;br /&gt;Veio a sua voz surda trazer-me o descaso, veio, sem trégua alguma, trazer-me a desesperança.&lt;br /&gt;Vieram suas palavras inventadas dizer-me nada e coisa nenhuma.&lt;br /&gt;Veio o seu silêncio tirar-me do sério, arrancar-me a cabeça, explodir-me o coração.&lt;br /&gt;Veio o seu corpo sem jeito atolar-me inteiro na lama, sorrir-me um sorriso absurdo, sem gozo.&lt;br /&gt;Veio você sem vir, me enlouquecendo à distância, me enchendo de sal.&lt;br /&gt;Estou pesado como a lua!&lt;br /&gt;Padeço da inútil vantagem de voar sem asas.&lt;br /&gt;E ainda insisto em cair.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-8146079559263986999?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/8146079559263986999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=8146079559263986999' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/8146079559263986999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/8146079559263986999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2009/02/voar-sem-asas.html' title='Voar sem asas'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-6235880464754499943</id><published>2009-01-22T18:14:00.000-08:00</published><updated>2009-02-05T15:52:18.885-08:00</updated><title type='text'>Do que sempre foi</title><content type='html'>Vem a mão grossa da saudade bater na cara da gente.&lt;br /&gt;Vem outra vez mais  encharca-nos nesse barro ainda morno.&lt;br /&gt;Destapa esse frasco seco,&lt;br /&gt;Aguça meus ouvidos,&lt;br /&gt;Faz-me de novo ver os meus olhos meninos, com a cara no chão, com o peito rente molhado a mijo.&lt;br /&gt;Vem me fazer chorar!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-6235880464754499943?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/6235880464754499943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=6235880464754499943' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/6235880464754499943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/6235880464754499943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2009/01/do-que-sempre-foi.html' title='Do que sempre foi'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-4908981612271259345</id><published>2009-01-22T06:14:00.000-08:00</published><updated>2009-01-27T13:44:45.378-08:00</updated><title type='text'>À espera</title><content type='html'>Espero conformado a minha hora da vida, como quem espera a sua hora da morte, suando frio, tremendo imóvil. Rezo em vão textos desacreditados, deixo à sorte meu pedaço de morte em vida.&lt;br /&gt;Que há de se fazer com todo o tempo desperdiçado, que há de se fazer com toda a ternura, que há de se fazer com toda a lembrança lembrando mal acostumada na espera da gente?&lt;br /&gt;Me resta a certeza da minha hora da vida, o lamento triste existindo em mim até a minha hora da morte, na minha espera falecida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-4908981612271259345?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/4908981612271259345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=4908981612271259345' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/4908981612271259345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/4908981612271259345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2009/01/espera.html' title='À espera'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-7103348148003419944</id><published>2009-01-04T17:46:00.000-08:00</published><updated>2009-01-22T06:22:44.272-08:00</updated><title type='text'>Sem os pontos</title><content type='html'>É devagar que eu desisto, é lentamente. É perdendo de vez a ilusão de maturidade. Vou deixando que ela me convença que não dá mais, que não tem mais volta, do café ao lamento sem gozo da janta, deixo claramente, desisto, insatisfeito e sem mastigar. Perco a fala, me confundo, vou me entregando antes do começo. Pude somente esboçar uma furia vaidosa, dirigida a não sei quem. Não dá, não sei fazer, não quero. Já me cansei de falar, de escutar sua voz solene sua voz eterna, inalcansável, dona da casa e até da comida. Me cansei dessa voz ingerida, absorvida no sangue, incrustada no meu corpo como o cheiro azedo dessa casa. É lentamente que eu morro, é muito devagar que ela me faz perder a vida. Vem com a chuva, essa voz, esse cheiro, essas lágrimas eternas, esse ar insuportável chuvendo em mim grosso, desde o céu e entrando pelas janelas e portas fechadas, insinuando-se entre as frestas, por debaixo das coisas. Vem trazer a chuva pra dentro de mim, vem me molhar de sal, vem me matar, vem me calar, vem, lentamente, me fazer desistir, me fazer lamentar, não dá, não sei fazer, não quero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-7103348148003419944?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/7103348148003419944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=7103348148003419944' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/7103348148003419944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/7103348148003419944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2009/01/sem-os-pontos.html' title='Sem os pontos'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-398242996332909875</id><published>2008-10-27T19:43:00.000-07:00</published><updated>2011-09-12T09:01:27.564-07:00</updated><title type='text'>Rascunho</title><content type='html'>Vi, quando passou por mim, que dessa vez não olhava pro chão, como fazia sempre. Hoje, seus olhos caminhavam sem desviar do traçado reto que já tinha criado na noite anterior. Tinha na cara esse ar raro da certeza de algo, ou, nesse caso, esse ar asfixiante do desejo, seguro estava de encontrar o que tinha ido buscar. Era claro que ele queria viver nesse instante todo o seu resto de vida. Passou por mim ser ver-me, e eu por fim o vi por primeira vez, a meu irmão, a mim espelhado naquele quase homem ainda imaturo, virgem de todos os sexos.&lt;br /&gt;Era já o dia seguinte quando cheguei e imaginei toda a cena, nesse dia já tinha caído outra vez, e seus olhos já se arrastavam uma vez mais. Ele seguia caminhando diante de mim que não estava ali. Caminhou até a porta do pátio, minha casa era pequena, e entrava muita luz pela janela, talvez foi por isso, pela luz, nunca se sabe bem essas coisas, não se conhece a vontade dos outros. Estava um pouco aberta a torneira, lembro que aquele gotejar me incomodava bastante, cada gota era uma noite perdida, uma depois da outra caíam em sincronia, guiavam seus pés num ritmo determinado. Depois não se escutava mais, já não se escutava nada, era um silêncio pesado. Eu via que ele seguia parado, desenhando com as mãos sobre o céu, apontando algo. Pintava sempre coisas amenas, trabalhadas aos poucos, dessa vez já tinha pintado o quadro, na noite anterior, já tinha pintado tudo, a luz da janela, seus olhos fixos, o ar denso. Esse irmão eu não conhecia até aquele momento. O estranho é que no mesmo instante - saberia de tudo depois - eu também olhava o céu, sem muito interesse, e foi aí que atendi o telefone, aturdida por vê-lo com vida, minha mãe me descrevia a mesma cena que acabei de presenciar, um dia depois. Continuava parado ali, imóvil com o quadro já pintado. O que aconteceu depois não se pode descrever. Havia, lembro, muita luz. Era tudo branco. Já quase não via nada. Caminhei um pouco, queria ver melhor. Nada. Estava cego pela luz. Era essa luz grossa, sufocante. Tentei tapar com as mãos a cara, era impalpável tudo, como um sonho relembrado. Mas tinha certeza, eu estava ali. Foi quando tentei tocar-lhe, entender que era toda aquela luz, por que não lhe fazia mal? Depois, no outro dia, quando cheguei a casa, vi bem tudo, ele estendia o braço, agarrava algo, em meio a toda aquela cegueira conseguia ver outra presença ali, imaginada na noite anterior, desenhada. Baixou o braço, os olhos e já pude ver sem dificuldade que entrava uma vez mais encurvado, arrastado e por fim me via chegar, entrando pela porta sem vê-lo, como sempre fazia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-398242996332909875?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/398242996332909875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=398242996332909875' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/398242996332909875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/398242996332909875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/10/vi-quando-passou-por-mim-que-dessa-vez.html' title='Rascunho'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-325614364500957589</id><published>2008-09-23T15:47:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T17:24:56.112-07:00</updated><title type='text'>Bárbara</title><content type='html'>Me doy vuelta, porque me tenia que dar vuelta, tenia que mirar, tenia que verla...la vi por primera vez, o por última vez, tan parecidas eran las dos cosas, la vi caminando con su ya conocida manera de caminar. Llevaba un vestido puesto, casi negro y gafas, ocultando quizás unos ojos sin vida, y yo anticipando cada gesto suyo, la veía dejar las flores en su própia tumba, tan igual era a la muerta, tan parecida a su modo de estar, no más, parada, quieta, yo confundido, la miraba como si ella fuera mis recuerdos muertos, mi mujer fallecida, mi vida creada, y por un rato pensé que tal vez ella tenía otra vida que no conocia, como si todavia estuviera viva, y que la podía ver, la podía tener, y ciego y sin tacto, la seguí disconforme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-325614364500957589?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/325614364500957589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=325614364500957589' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/325614364500957589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/325614364500957589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/09/barbara.html' title='Bárbara'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-299951098105914452</id><published>2008-09-15T10:45:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T17:22:47.893-07:00</updated><title type='text'>Meu único modo</title><content type='html'>Trinta minutos e seis meses durou aquela viagem. Era o meu único modo de lidar com as coisas, pensar na espera, no caminho, alongar a estrada ao infinito, imaginar uma vida para cada pequeno e invisível pedaço de terra que íamos percorrendo, eu sozinho como sempre, fugindo da presença morta que me distraía, de qualquer sussurro que encurtasse aquela vida criada, aquela viagem lenta de meses recordados entre passar de árvores e cercas, seguia querendo não chegar, atrasar um pouco mais, desconstruir intensamente a chegada, o sentido incompreensível daquele caminhar. Eu, buscava ali, no ir-se escapando do asfalto e dos detalhes passados que deixava, o seu rosto reconstruido no rosto de outras, nos grãos de terra, nos trinta minutos já vividos há tempos, na ilusória espera da sua indiferença irremediável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-299951098105914452?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/299951098105914452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=299951098105914452' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/299951098105914452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/299951098105914452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/09/meu-unico-modo.html' title='Meu único modo'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-1255547211414378293</id><published>2008-09-01T18:04:00.001-07:00</published><updated>2011-09-11T17:25:57.260-07:00</updated><title type='text'>O que sobra</title><content type='html'>Resta, meu caro Vinícius, acima de tudo, esta vontade desamparada de voltar a lembrar. Resta esta insônia ao contrário.&lt;br /&gt;Resta, aqui comigo, o peso arrastado da maturidade, a indiferênça do meu idioma falso.&lt;br /&gt;Resta inclusive, e outra vez mais, este cheiro de ônibus, estrada e descaso.&lt;br /&gt;Resta, sempre, o meu medo de olhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-1255547211414378293?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/1255547211414378293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=1255547211414378293' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/1255547211414378293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/1255547211414378293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/09/o-que-sobra.html' title='O que sobra'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-3577726440397111599</id><published>2008-08-06T12:13:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T17:28:25.805-07:00</updated><title type='text'>Outra vez mais</title><content type='html'>Cada despedida são várias, estou seguro. Cada uma carrega em si a incerteza da volta, a dúvida da insensibilidade, poderia ter vivido mais, poderia ter sentido mais, ser menos... cada olhar desviado são todos os olhares passados, incomprendidos, criando uma vez mais a falta de sentido do último beijo, da última palavra inútil, da tentativa de terminar nunca mais ali. Cada despedida é um estar perto do que foi um dia, não o fim, mas outra coisa, inventada e esquecida lentamente pela falta de vontade, pelo desânimo, por uma maldade sem culpa desejando que nâo fosse nunca e que acabasse sempre no mesmo instante em que nasceu. Cada despedida são várias vidas inventadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-3577726440397111599?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/3577726440397111599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=3577726440397111599' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/3577726440397111599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/3577726440397111599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/08/cada-despedida-sao-varias-estou-seguro.html' title='Outra vez mais'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-2836787766327680292</id><published>2008-08-05T11:10:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T17:33:43.800-07:00</updated><title type='text'>Versões do mesmo tema</title><content type='html'>Eu poderia viver aí, calado, num canto qualquer da sua boca.&lt;br /&gt;Poderia viver no silêncio da sua voz, recriando surdamente seu incansável sotaque infantil. Poderia viver sem o gosto digerido da tua língua e do nosso sexo, viver no toque imperceptível de seu cabelo em minha boca, ou viver ainda na sua carícia descuidada.&lt;br /&gt;Nos seus olhos fechados não posso! Não posso sem essa espera a que os meus se acostumem à penumbra grossa do nosso quarto, a fim de ver lentamente, apalpando quase, suas costas avermelhadas, suas muitas marcas de inocência.&lt;br /&gt;Não posso sem essa pouca luz, sem esse movimento involuntário do meu rosto em seu corpo ou seria do seu corpo em mim, tão pouca luz há sempre aqui entre nós, nesse quarto noturno, você sempre com os olhos fechados, não posso sem seguir buscando nessas suas pequenas imperfeiçoes o sentido pálido do meu amor platônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era a pouca luz, o que me calava ali, eram os meus olhos que mudavam, ou aquele rosto infantil que clareava pouco a pouco o meu quarto cinza.&lt;br /&gt;Era o detalhe da sua boca e o seu olhar distraído que não se fixava em nada, apenas, e apesar de tudo, em meus olhos, ou na sua própria imagem que via duas vezes em mim, pequena e redonda, tão perto estava de meu rosto que era como olhar-se a sí mesma, sentir a própria respiração na pele.&lt;br /&gt;Abria seus olhos ao máximo, e ali me enxergava a mim e àquele tom amarelado, vindo talvez de seus olhos fechados, iluminando seu rosto quase por inteiro, e à sua pele, salpicada de um vermelho claro, como o outono seco la fora.&lt;br /&gt;E logo o meu rosto refletido olhando a mim e a ela simultaneamente, confundido na largueza daquele momento, daquele piscar de cílios que me distraíam e me traziam de novo ao meu quarto, à minha janela branca, ao meu egoísmo de sempre, ao meu silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-2836787766327680292?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/2836787766327680292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=2836787766327680292' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/2836787766327680292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/2836787766327680292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/08/versoes-do-mesmo-tema.html' title='Versões do mesmo tema'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-7594247963238596674</id><published>2008-06-29T16:16:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T17:37:47.932-07:00</updated><title type='text'>Imcompleto...</title><content type='html'>Não está dentro de mim, não vem daqui essa vontade de rodar. Nao sei dançar! É a chuva que molha meus pés, que encharca meu corpo. É a chuva densa daqueles lados de lá, de água negra e avermelhada, é ela que cai em mim. Tenho ainda o seu gosto e o seu ruído surdo, dessas tardes quentes, da minha janela sem vidros. Não está dentro de mim isso que me faz querer chorar, isso que tira meus pés do chão, que escorrega devagar o piso sob mim. O que é essa saudade do som de uma terra, surda aos ouvidos desacostumados, o que é a ausência da palavra? Qual é o vazio que nunca soube porque sempre esteve comigo? Qual a única certeza que me faz rodar...?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-7594247963238596674?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/7594247963238596674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=7594247963238596674' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/7594247963238596674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/7594247963238596674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/06/imcompleto.html' title='Imcompleto...'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-579447478509240513</id><published>2008-06-10T06:07:00.000-07:00</published><updated>2008-06-10T06:32:46.828-07:00</updated><title type='text'>Bastante</title><content type='html'>Que porçao de vida seria essa que nao transborda, que cabe conforme. Essa coisa sem nome que se diz felicidade, que me olha de longe e nao busca nada em mim, nao enxerga depois de meus olhos. Que seria isso senao uma vontade falsa, um desejo inconsistente de vida. Nao blasfemo contra lares incontestaveis, nao quero ser o tambem falso suicida. Mas digo da necessidade de morte, do incontido, do nao ser, aquilo que falta e que sobra na beleza e tristeza do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-579447478509240513?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/579447478509240513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=579447478509240513' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/579447478509240513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/579447478509240513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/06/bastante.html' title='Bastante'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-6521961636190450454</id><published>2008-06-02T19:45:00.000-07:00</published><updated>2008-06-02T19:49:26.229-07:00</updated><title type='text'>Mi casa</title><content type='html'>Es inutil. Esa mirada no me sirve más. Esa mirada nunca me ha ayudado. Ya se terminó el tiempo de miradas. Asi no me ayudás, ya no podés. Sigo solo buscando mis pequeñas cosas en tu mundo. Vos me has dejado aca parado. Me has visto de boca abierta, pero mudo y sin oidos para tu lengua extranjera. Es inutil, hablo otro idioma. No me mires así, no me juzgues. No cierres los ojos. Es inutil. Dejame seguir guardando estas extravagancias, dejame cuidar de mi casa. Es con esto, con estas inutilidades que he vivido lejos de ti, con estas pobres formas sin vida que creo mi felicidad, de a poquito, muy lentamente, cosechando todavia en tu hogar. Es así que invento mi pedazo de vida sin vos, con mis miles y miles de pequeñas cosas tuyas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-6521961636190450454?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/6521961636190450454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=6521961636190450454' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/6521961636190450454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/6521961636190450454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/06/mi-casa.html' title='Mi casa'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-7565844394016467473</id><published>2008-05-25T12:07:00.000-07:00</published><updated>2010-05-09T19:17:16.124-07:00</updated><title type='text'>Queria dizer...</title><content type='html'>Queria dizer, minha falta de tato, meu limite de mim. Essa coisa, invisível, contendo meu entorno, protegendo o ar do meu frio denso. Isso. Esse hálito sem gosto, seco, não reprimido, que volta a mim numa vingança imediata das coisas que disse, secando-me as lágrimas dos olhos, queimando meu estômago, revolvendo tudo que comi calado. E esse quase vômito é o pago da minha falta de tato. Isso te contava, isso queria dizer. É como a culpa por ver meu ego, arrependimento de mostrá-lo a mim, agrandado. Mais devagar voce diz? Meu tempo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-7565844394016467473?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/7565844394016467473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=7565844394016467473' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/7565844394016467473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/7565844394016467473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/05/queria-dizer.html' title='Queria dizer...'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-2268478999091098403</id><published>2008-05-12T08:40:00.001-07:00</published><updated>2008-05-25T13:23:05.050-07:00</updated><title type='text'>Necessitade de algo</title><content type='html'>Necessitava mais. Queria uma dose mais de amor criado, dessa coisa sem tempo que ele ia inventando entre os dois. Era pouco, pensava, nao bastava a troca de fluidos, a fuga fortuita entre falas absurda de desamor, nao bastava um sorriso na cara, o cheiro de gozo. Criava algo mais, dilatava o tempo do comer e do saborear, cuspia fora o gosto de terra, convertia o barulho da chuva em melodia pensada, preso a um ser distante dele, perdido em algum lugar da historia. Seguia insuportavelmente seu desejo de amor inventado, palido, perdendo do amor seu casual jogo de sombras e aparencias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-2268478999091098403?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/2268478999091098403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=2268478999091098403' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/2268478999091098403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/2268478999091098403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/05/necessitade-de-amor.html' title='Necessitade de algo'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-5600219068100227987</id><published>2008-05-07T05:48:00.000-07:00</published><updated>2008-08-12T12:43:00.600-07:00</updated><title type='text'>Esquiva</title><content type='html'>Muito tempo passei com meu egoismo, te apagando, te esquivando, desmisturando o mundo. Respirava do seu rastro o pó acido da desesperança, do esquecimento. Queria matar algo em mim, algo alheio, incrustado minusiosamente em minha pele e em meu cheiro saturado, tao ligado a meu ser, tao pertencente a mim, que mata-lo seria um suicidio consciente. Mas era preciso morrer uma morte rapida, era preferivel cometer um crime insano que seguir privando-me de ar, seguir afundado na poeira de seus pés caminhando. Nao pude, nao tive maos fortes, a corda atada a mim nao foi o bastante, nao pude cortar-me em pedaços, nao fui capaz de saltar do decimo andar, rasgar-me as entranhas, destroçar-me. Matei-me pouco, superficialmente. Moribundo e mais ameno, vi meu absurdo egoismo, meu destino guiado por olhos torpes e sujos de seu suor, de meu fracasso, nao pude morrer nem matar-te. Voce segue viva sem mim, sem meu sopro. Te dei as costas covarde, para que rasgasse com as unhas meu corpo ao contrario, voce nao conseguiu, tampouco soube o que fazer naquele momento. Era preciso um ranger de dentes, ou uma troca de olhares. Nada. Nao houve nada entre nós. Nao temos lugar, nao temos mais historia, nao temos prazer em meu egoismo. Era preciso matar-me.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-5600219068100227987?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/5600219068100227987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=5600219068100227987' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5600219068100227987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5600219068100227987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/05/esquiva.html' title='Esquiva'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-5997347305886413619</id><published>2008-05-06T07:34:00.000-07:00</published><updated>2008-05-25T14:07:04.584-07:00</updated><title type='text'>Ilusao Amarela</title><content type='html'>Bailaba. Movia o corpo sem pudores com violencia ruidosa, deixando todos estáticos ali, em suas danças mediocres sem cor, ela bailaba amarela, um amarelo sonoro que reverberava em mim, sujeitando meus olhos a uma dança que nao sabia ate entao, seguindo seus cabelos loiros, conhecendo pouco a pouco os seus contornos translucidos, iludindo o tempo e o espaço, movimentando-se em meus olhos lentamente, desenhando-se a mim em um fundo escuro, com lapis brando, um permanente rabisco, acompanhando seu grito de vida, seu violento bailar extasiado. Fui me afundando ali, apagando os bordes de minha visao, borrando o excesso de luz, esquecendo involuntariamente tudo que nao fosse minha ilusao amarela, minha ilusao sonora, porque já era minha aquela dança, já era meu aquele contorno, já era minha aquela irrefreavel vontade de vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-5997347305886413619?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/5997347305886413619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=5997347305886413619' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5997347305886413619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/5997347305886413619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/05/bailaba.html' title='Ilusao Amarela'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-3422770099982140672</id><published>2008-05-03T18:53:00.000-07:00</published><updated>2008-10-26T20:47:02.538-07:00</updated><title type='text'>Desejo com saudade</title><content type='html'>Está tudo aqui, nesse meu brinquedo azul refletindo seus olhos redondos de flor. Está tudo aqui nessas pequenas coisas intangiveis. Um hoje repassado por mim, estremecendo meu corpo e meu desejo impotente de voltar a ver, de seguir embriagado seus tortos passos inseguros, seu caminhar instavel como um voo raso de garça. Que beleza eu via ali! Era um espetaculo incalculavel, ver-te e seguir seus movimentos de menina, sem medos alheios, como quem balança desprevenida de um galho de arvore seca, como quem caminha por sobre uma fina linha imaginaria, traçada rigorosamente reta, um cair a cada segundo, um quase destroçar-se, sentir-se livre da gravidade do mundo, seguir apenas, com o peso do seu corpo. Está tudo aqui, na sua quase presença. Esse caminhar, essa troca de passos, esse corpo desnudo, talhado molde de minhas maos e de minha boca saciada. Está tudo aqui, na sua quase presença intacta e ausente de vida. Esta tudo nesse sentimento que vem as vezes, seguido de um cavar de terras e passados, de um insistente desejo de maturidade, caminhando comigo um dia inteiro, ao meu lado como um braço ou um som relembrado, torto, esse som familiar de seus pés em meu quarto escuro. Voce é essa sua presença sem vida, voce é meu brinquedo azul, suas palavras andantes, é minha saudade e minha linha imaginada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-3422770099982140672?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/3422770099982140672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=3422770099982140672' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/3422770099982140672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/3422770099982140672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/05/saudades.html' title='Desejo com saudade'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-7131736004994937585</id><published>2008-05-03T12:58:00.000-07:00</published><updated>2008-10-26T20:48:22.103-07:00</updated><title type='text'>Maos sedentas</title><content type='html'>Buscar a dor seria absurdo, encontrar prazer em cavar a terra com maos conscientes, permanecer imovel em postura quadrupede com as maos em frente ao rosto, afundando-se em chao molhado, sentir esse cheiro de grama e barro, afundar-se ai com boca sedenta...seria absurdo. Quanta calma ha em sentir-se unico dono inalcançavel do seu proprio desamparo, de sua propria fonte de dor. Deus e filho num unico corpo castigado, dilacerado entre saliva e dentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-7131736004994937585?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/7131736004994937585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=7131736004994937585' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/7131736004994937585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/7131736004994937585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/05/buscar-dor-seria-absurdo.html' title='Maos sedentas'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-818752340128269172</id><published>2008-04-25T11:01:00.000-07:00</published><updated>2008-05-09T15:53:35.487-07:00</updated><title type='text'>Taça de café</title><content type='html'>Balançava friamente a taça de café, me via desfigurado e torto na pouca luz refletida de dentro da taça, se passasse uma onda por todo meu rosto, descompondo olhos e bocas, se passasse uma onda indo a chocar-se com meu mundo emparedado pelos bordes de uma minuscula taça branca, voltando de novo a mim, começando agora pela garganta, suplicando um grito, logo pregando minha boca muda com grampos de mulher, para desgrenhar de vez meus cabelos já revoltos pelo vento e por anos de embriaguez, e nesse movimento seguisse, nao fosse por vontade de minha mao direita, que cansada já do jogo, o interrompia para em seguida inventar outro, menos deliberado, vindo de fora, de tras de mim, de minhas costas sem luz, se passasse uma onda por todo meu corpo e entrasse em meu cranio, passando antes pelos orificios de minhas orelhas, seria um jogo fantasioso, descobrir mundos e inventar historias para os primeiros sons e palavras, vindos de passados vividos, ainda nao mortos, chegando a mim timidamente, imaginando quem sabe uma frieza minha, uma prepotencia minha por nao querer dar volta na cadeira, nao querer seguir contando historias, seguir aumentando o alvoroço de sons e desejos explicitos, mas nao era assim, eu os escutava com aprecio, como se os visse, como se os tocasse, a garrafa de vidro resvalando insegura sobre a mesa do bar, esse som opaco, cheio de outros menores como quem carrega consigo uma bagagem enorme em uma viagem de trem, as vozes graves e femininas que se confundem em um canto infantil, batendo em mim como as ondas de minha taça de café frio, despertando-me de minha consciencia, se passasse uma onda por todo meu corpo, quanto historia haveria naquele som fastidioso da maquina de café, no pedido do homem alto da mesa ao lado, no latido do cachorro que viria da rua e seria tao claro e verbal seu pedido esfomeado, que confuso eu nao saberia se estava ainda na porta de entrada ou já a meu lado, latindo e falando coisas sem sentido, e aquele cachorro seria o meu cachorro, que me seguia, já certo do abandono, porque eu já nao podia mais, já nao suportava mais o seu ruidoso desejo de vida, e ele sabendo minha decisao, tentaria sem sucesso um ultimo pedido de clemencia, eu ali parado, frente a taça de café, se passasse uma onda por todo meu rosto, se passasse uma onda por todo meu corpo, descompondo olhos e bocas e certezas, meu passado quem sabe seria de novo vivido, por mim contado, ou talvez cego e mudo, seguria parado entre sons e uma taça de café.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-818752340128269172?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/818752340128269172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=818752340128269172' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/818752340128269172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/818752340128269172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/04/taa-de-caf.html' title='Taça de café'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1698693604912124795.post-7059907309413708799</id><published>2008-04-21T11:05:00.000-07:00</published><updated>2008-05-03T14:17:28.146-07:00</updated><title type='text'>Despedidas</title><content type='html'>Nao sei por que corria, por que seguia passo a passo a corrente de minha rotina criada. Nao têm sentido as coisas feitas por ultima vez. Simplesmente seguia. Meus passos eram os mesmos, o mesmo tênis vermelho a mesma calçada a mesma lagoa suja. Mas à medida que meus pés iam deixando um a um o chao firme, saltando em vôo rapido para cair outra vez em terra nova, bucando talvez um outro caminho mais adiante, ia deixando coisas ali, naquele lugar já velho, ia me desfazendo, me largando me lembrando. Nao têm sentido as coisas feitas por ultima vez. Por que corria se já nao era o mesmo, se já era de novo um menino sem vicios sem futuro. Nao sabia em que epoca viver, em que momento especifico, se naqueles tempos de lagoas e calçadas ou se nos meus tempos de incompletudes e futuros. Por isso seguia, penso agora, seguia no espaço de tempo entre um levantar de calcanhares inconscientes e o choque ou caida ao piso sem contentamentos. Esse dia veio como muitos outros viriam depois e mesmo antes quando eu nao suspeitava que haviam chegado, que haviam estado; os dias sem gloria, os dias sem gozo, os dias sem sentido de despedidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1698693604912124795-7059907309413708799?l=dondehuir.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dondehuir.blogspot.com/feeds/7059907309413708799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1698693604912124795&amp;postID=7059907309413708799' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/7059907309413708799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1698693604912124795/posts/default/7059907309413708799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dondehuir.blogspot.com/2008/04/despedidas.html' title='Despedidas'/><author><name>João Clemente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04578137295529416417</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-D8EBrm6wLWU/TwUCl4_E4EI/AAAAAAAAABc/cOoXPtw8R6s/s220/1%2B20-07-07%2BSerra%2Bda%2BPiedade%2B%252892%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
